Vivemos uma era de burnout tecnológico. As pessoas estão cansadas. Cansadas da perfeição forçada, dos vídeos milimetricamente editados, das promessas milagrosas e da estética “limpa” que mais parece uma montra inalcançável do que algo humano.
E, neste cenário, algo curioso está a acontecer: a sociedade está a tornar-se anti-marketing.
Sim, é isso mesmo.
Enquanto profissionais continuam a estudar tendências, dominar ferramentas de inteligência artificial e tentar entender os algoritmos instáveis das redes sociais, os consumidores estão à procura de algo muito mais simples — e muito mais verdadeiro: conteúdos reais, rostos reais, histórias reais.
Peles com poros, espinhas, olheiras. Pessoas que travam na fala, que gaguejam, que têm o mesmo fundo da casa da maioria — uma parede branca, uma cortina comum, uma luz amarelada. O conteúdo que gera conexão hoje é conteúdo de gente como a gente.
O marketing está a mudar. Drasticamente. E muitos profissionais estão a enlouquecer no processo, tentando entender como adaptar-se a essa nova realidade.

Mas afinal, este artigo é um desabafo?
Não.
Este é um alerta para marcas que estão no digital, mas continuam a pensar como se estivessem em 2018. Marcas que se preocupam apenas com o “último passo”: a venda.
Só que aqui está a grande verdade: vender já não é o foco. É uma consequência.
Não adianta usar um design impecável, um texto bonitinho ou aquele famoso gancho como “Fique rico hoje” ou “Emagreça sem esforço”. Esses gatilhos já tiveram o seu tempo — hoje, já não colam (pelo menos, não com a maioria).
Claro, sempre haverá público para esse tipo de conteúdo. Mas se a tua marca quer construir algo duradouro, precisa pensar além da venda.
A Nova Estratégia: Comunidade
Na Biggthen, assim como os principais nomes do marketing global, acreditamos que o futuro das marcas está na construção de comunidade. Mais do que audiência, é preciso criar laços reais. É preciso trabalhar a proximidade com o cliente, o valor emocional, a narrativa partilhada.
De acordo com a apresentação de tendências da Kantar para 2025, as comunidades estão a prosperar de novas maneiras. E quem as está a liderar? Os criadores de conteúdo — não as marcas. São eles que estabelecem confiança, conexão e relevância.
O Goldman Sachs, em 2023, estimou que, em 2024, a economia criativa movimentasse cerca de 250 mil milhões de dólares, e que esse número chegue aos 480 mil milhões até 2027.
O recado é claro: quem não investir em comunidade e criadores vai ficar para trás.
Conteúdo que Gera Fãs (e Não Apenas Clientes)
Quer um exemplo? A marca CeraVe, conhecida mundialmente por seus produtos de skincare, criou uma campanha com a atriz brasileira Déborah Secco para reforçar o tema da hidratação. A atriz apresentou uma narrativa onde o seu nome passou a ser Deborah Hidratada, o que gerou buzz orgânico e uma identificação imediata com o público.
A campanha não vendeu um produto — criou um símbolo. Um movimento. Um sentimento de pertencimento. E todos queriam fazer parte.
Isso é comunidade. Isso é marketing com propósito.
Se Não É Real, Não Conecta
No início do ano, a Tay — CEO da Vinci Society — apresentou as 6 estratégias de marketing para 2025. Agora, já no segundo semestre, percebemos: as tendências viraram realidade. E a principal delas é a autenticidade.
Se a tua marca ainda está a comunicar de forma superficial, polida demais, sem escuta e sem colaboração…
Está a fazer marketing errado.
Se a tua marca ainda está a comunicar de forma superficial, polida demais, sem escuta e sem colaboração…
Está a fazer marketing errado.
É tempo de mudar.
De contar histórias.
De criar laços.
Não queira apenas um cliente. Queira um fã.